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Afinal, o que é educação 4.0?

Atualizado: Set 2



Nos últimos meses, as instituições de ensino foram imersas num contexto de aulas remotas sem que estivessem preparadas para esse novo modelo de ensino. Assim, muitos desafios estão sendo enfrentados, tanto no campo da gestão financeira e da gestão de pessoas, quanto no campo pedagógico. De maneira geral, todas as instituições, que não estavam habituadas a inserir em suas práticas pedagógicas as novas tecnologias, enfrentaram desafios importantes relacionados à suspensão das aulas presenciais. Esse contexto trouxe ao centro das discussões um novo modelo de aprendizagem que chamamos de Educação 4.0, que promete transformar o conhecimento e acompanhar as necessidades das novas gerações.


Essa não é a primeira vez que a tecnologia impõe mudanças ao modus operandi dos setores. Se pensarmos, por exemplo, em instituições bancárias de meados da década de 80, a forma como nos relacionávamos com nossos bancos era completamente diferente do modo que nos relacionamos hoje. Em décadas passadas, a agência, a qual estávamos vinculados, era portadora de todas as nossas informações bancárias, desde a ficha de assinatura, até os nossos dados pessoais. Quando atravessávamos a rua e entrávamos em uma outra agência do mesmo banco, não éramos reconhecidos. Isso acontecia porque a tecnologia, àquela altura, não era suficiente para integrar esses dados. Com o avanço das soluções digitais, passamos a ser portadores de nossos próprios dados e a carregá-los conosco, por meio de cartões magnéticos. Esse mesmo processo tecnológico nos tornou reconhecíveis em diferentes agências, contas e entre outros estabelecimentos comerciais. Mesmo com todos os avanços, a tecnologia não substituiu as agências bancárias, mas mudou a forma como nos relacionamos com elas.


A evolução tecnológica não é um elemento isolado, ela está relacionada à 4ª Revolução Industrial, que traz em seu contexto a digitalização dos processos, a revolução da internet e até da análise e coleta de dados. E a escola, embora em menor proporção, também é impactada por essa evolução tecnológica. Nesse sentido, entendemos que a revolução é latente no progresso e utilização dos sistemas de gestão escolar, por meio da utilização de recursos como celulares e tablets, por exemplo.


Para falarmos de Educação 4.0, precisamos entender que esta atualização está intimamente relacionada à mudança no modo como nos comportamos, como nos relacionamos e, até mesmo, sobre como pensamos. É na conexão entre esses elementos que consiste a evolução dos contextos da Educação 4.0, sobre como os recursos tecnológicos podem proporcionar interatividade, ludicidade ou interação no processo de ensino-aprendizagem, e não somente nas ferramentas digitais em si.


Bases da Educação 4.0


No entendimento de que a educação 4.0 é um processo de ensino continuado, precisamos olhar para os quatro pilares importantes que fundamentam esse contexto:


O primeiro ponto está relacionando à análise do modelo no qual as escolas estão imersas. Na prática, é avaliar o cenário atual e conceber estratégias para um planejamento de inovação efetivo. Ou seja, entender onde se quer chegar e de que maneira isso pode ser feito.


O segundo ponto, e talvez o mais desafiador, está pautado na busca por referenciais teóricos que proporcionem a mudança do senso comum. A educação científica é um desafio que envolve ações sistêmicas, planejadas e bem estruturadas. Toda a organização escolar deve conhecer e estar envolvida, desde a concepção das ações à sua execução.


Entendendo que o conhecimento não está pautado no conteúdo, mas no desenvolvimento das habilidades, olhamos para o terceiro ponto que se relaciona com a gestão do conhecimento. A reorganização estrutural de pontos, como o Projeto Político Pedagógico, ou o fortalecimento de uma cultura voltada para a inovação digital e tecnológica, são algumas das ações que podem ser aplicadas aqui. O quarto ponto, por fim, é pensar nos espaços de aprendizagem que favoreçam protagonismo do aluno ou desenvolvimento de projetos interdisciplinares.


Dessa forma, pode-se entender que a Educação 4.0 reúne ações voltadas para a implantação da cibercultura e tem como objetivo desenvolver novas habilidades nos alunos. Para tal desenvolvimento, tem como ponto de partida práticas que considerem os interesses e as trilhas de aprendizado dos estudantes, a partir conceito “Learning by Doing”, o aprender fazendo.


A Educação 4.0 e a conexão com as Metodologias Ativas


O modelo de ensino-aprendizagem mais amplamente praticado tem como base aulas expositivas, realização de trabalhos e avaliações e demais ações diferenciadas pelo professor, ou seja, coloca o professor como detentor ou mediador do conhecimento. Nesse modelo, entendemos que os alunos ocupam uma posição passiva na construção e, até mesmo, das escolhas sobre suas aprendizagens.


As metodologias ativas, em um movimento inverso ao habitual, colocam o aluno como personagem principal e central e, por consequência, como grande protagonista do seu aprendizado. Dessa forma, o grande objetivo desse modelo de aprendizagem é o incentivo à comunidade acadêmica ao desenvolvimento de ações que proporcionem e promovam a amplitude da capacidade de aprendizagem autônoma dos alunos.


De forma mais prática e próxima ao contexto de sala de aula, trata-se da promoção de atividades que desconstruam o modelo expositivo diante da proposta de inovação, participação e autonomia dos alunos. As estratégias propostas devem estar pautadas e centradas na participação efetiva dos aprendizes, baseadas em projetos interligados e com ênfase na cultura do aprender fazendo.


O entendimento das metodologias ativas como um conceito multidisciplinar e integrador proporciona o desenvolvimento criativo dos estudantes e os impulsiona a resolver situações-problema dispostas a partir de seus interesses de aprendizagem.


E como fica a BNCC nesse contexto?


A implementação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) no final de 2018, nos trouxe diretrizes importantes para o desenvolvimento do protagonismo do aluno. Isso porque, em sua concepção, o grande elemento orientador presente nesse documento trata, especialmente, do desenvolvimento de habilidades pautadas em competências específicas para áreas de conhecimento.


Há muitos desafios quando falamos sobre a Educação 4.0. Esses desafios vão desde a infraestrutura, que ainda é precária, até o acesso à internet ou a equipamentos como computadores, tablets e smartphones.


Ainda no universo dos desafios, podemos pensar a respeito da formação do corpo docente, em razão da implantação de tecnologias em aulas mais práticas e que captem a atenção de alunos e, por consequência, obtendo maior participação. Ou a cerca da própria gestão escolar, quando entendemos a automação da gestão de dados como elemento importante para o desenvolvimento da escola enquanto instituição.


O entendimento de que esse modelo de educação é não apenas uma novidade ou modismo, mas uma realidade latente em nosso cotidiano, nos impulsiona a pensar sobre as mudanças que devem ser internalizadas, projetadas e, em certo tempo, realizadas.

 


FONTE : BLOG SAS EDUCAÇÃO

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